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Pai Poltrão – Edição Digital

R$3.00

Características

Número de páginas: 48
Edição: 1(2019)
Formato: Digital
Coloração: Preto e branco

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Descrição

A velhice chega para todos,

Mas poucos sabem como lidar com ela.

(Sala com móveis bem velhos e surrados. Num sofá grande, ao centro, dorme um velho de seus noventa anos. Dos dois lados, em poltronas menores, dormem dois outros velhos (podem ser bonecos). Acima do sofá, preso na parede, um relógio marca 19 horas.

À direita do sofá grande, há um corredor, por onde entra silencioso e lentamente um homem com mais de 50 anos, talvez quase sessenta. Ao chegar perto do sofá grande, pára, olha o homem dormindo e fica pensando profundamente. Por fim, se resolve, e toca o velho com a mão, de leve, e chama baixo:)

 

FILHO – Pai! (Nada acontece. Ele pensa em retirar-se, mas muda de ideia. Repete gesto e fala, porém com mais intensidade.) Paii!!

PAI  – Anhh! Que milagreee!!!

FILHO – Desculpe eu não ter vindo antes. Andei muito ocupado, trabalhando até durante os domingos.

PAI  – Sei! (Parece não acreditar. Senta-se. Filho senta-se a seu lado)

FILHO – Aqui também fica muito longe para mim.

PAI  – Pois é, então me deixassem em casa.

FILHO – Não venha de novo com essa história. O senhor sabe que não é possível. Foi difícil achar um lugar bom como esse. Não há muros e tem uma bela vista, com bela paisagem. Outra vantagem, o hospital fica aqui do lado, com um corredor diretamente ligando com a Casa de Repouso.

PAI  – Han! Casa de Repouso. (falando sozinho) Pensam que sou trouxa, casa de repouso. Asilo, isso sim, asilo, vi lá fora, pintado num carro em letras vermelhas, em letras vermelhas, vermelhas.

FILHO – Que foi que o senhor disse?

PAI  – Nada, eu não disse nada! Eu disse alguma coisa?

FILHO – Não sei, pareceu-me que sim. (Velho faz movimento brusco com o tronco e passa a mão nervosamente pela cabeça, esfregando os ralos cabelos.) As mulheres aqui tomam conta do senhor direitinho. Dão banho, olha como o senhor está limpinho. Quando eu ia na sua casa não aguentava ficar muito tempo porque lá tudo estava fedendo. O senhor ficava dias sem tomar banho e tinha um cheiro azedo intolerável.

PAI  – Porra! Também, na minha idade é difícil, as minhas pernas doem muito e posso cair. Eu sei o que passei quando caí lá em casa e fiquei dois dias com a perna machucada sem aparecer ninguém.

FILHO – Por isso que o senhor não pode ficar em casa.

PAI  – Era só colocar alguém pra ficar comigo.

FILHO – E de que adiantaria? Nós pusemos, pagamos uma mulher para cozinhar, lavar sua roupa e cuidar do senhor. Que foi que aconteceu? Se lembra? O senhor comprou e deu de presente para ela uma calcinha vermelha e depois ficava de bermudão coçando o saco para provocá-la. (Velho dá uma risada safada, como se dissesse “eu sou malandrão, eu sou assim mesmo”.) Além disso, ficava brigando com ela por causa da comida e ia pra cozinha fazer sua comida.

PAI  – A comida dela era uma porcaria, um nojo!

FILHO – Ah! A sua é que é boa, estou me lembrando que no Natal na casa da Maria o senhor levou um peixe pronto que deixou a geladeira dela fedendo tanto que tivemos que tirar tudo e lavar a geladeira. Aquilo estava podre.

Sobre o Autor

Professor de literatura, bacharelado e licenciado pela USP em 1976, participou dos Seminários de Atualização e Motivação promovidos pela Secretaria de Estado da Educação do Paraná. Já publicou 3 livros de poesia e mais de 30 obras didáticas, entre elas o livro Síntese da Literatura Portuguesa e Brasileira. Escreveu para o jornal O Ouvidor, de 2010 a 2012, tendo sido o responsável pela coluna de crônicas “Papo de letra”.

Em 1998 estreou no teatro profissional com “Memórias Póstumas de Brás Cubas” e de 2004 a 2009 apresentou-se nos espetáculos “Caeiro em Pessoa”, “Primeiras Estórias” e “Sagarana”, com o Grupo RIA, no Teatro Lucas Pardo Filho.

Em 2002 e 2003 apresentou-se no espetáculo “Travessia” em diversos colégios e teatros de Osasco, Campinas e São Paulo, com o ator Ayrton Salvanini. Participou de alguns filmes publicitários: Icatu, Bndes, Skol, e do videoclipe “Camarada d’água” para a banda Teatro Mágico. No You Tube, pode-se ver outro trabalho de sua autoria e interpretação: “O improviso do palhaço”. Em 2011, escreveu o roteiro e protagonizou o curta “DesEncontro”, promovido pelo Centro de Cultura de Igaratá, que pode ser visto nesse endereço: http://www.youtube.com/watch?v=y_eqnynmbvE.

Todos os anos, tem ministrado palestras sobre literatura e cursos sobre as obras que caem nos vestibulares Fuvest e Unicamp. De 1999 a 2011 foram realizados cursos em São Paulo nos seguintes locais: Teatro de Taubaté, Sub-Prefeitura do Tucuruvi, Teatro Lucas Pardo Filho, Teatro América de Sorocaba, Colégio POP de São Paulo, Colégio Bandeirantes de Mogi, Objetivo de Guarulhos. Dia 27 de junho passado, tomou posse na AARALETRAS, Academia Araruamense de Letras, 2017, fez a estreia com sua adaptação aqui publicada da obra de Camões no Teatro Popular de Rio das Ostras. Já se apresentou em Maricá, Cabo Frio e Araruama.

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