Somos Todos Camões

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Este sonho de tirar Camões do esquecimento teve sua semente em 1968, quando uma professora determinou que adaptássemos os dez cantos da epopeia Os Lusíadas .

Eu e um colega simplificamos o famoso episódio A Ilha dos amores. Nossa exposição agradou muito e nossos colegas se divertiram com nossa apresentação Muitos anos mais tarde, quando vi a mega montagem de Os Lusíadas, em São Paulo e não aparecia nem um dos belos versos do referido episódio, fiquei muito triste e decidi adaptar o livro todo para teatro. Naquela ocasião eu estava adaptando dois episódios para uma montagem que ficaria em cartaz do ano 2000 a 2002. Continuei minha adaptação até que em 2009 apresentei para alunos do terceiro ano do Ensino Médio no município de Igaratá, em São Paulo. Os alunos gostaram muito, mas vi que depois de uma hora estavam cansados, retomei o trabalho que ficou com uma hora e quinze. Em 2013 me mudei para a Região dos Lagos no Rio de Janeiro, a diretora Angelah Dantas aceitou dirigir e fez algumas modificações. A peça ficou com 55 minutos e bem melhor.

. Em todos os teatros onde me apresentei (Rio das Ostras, Cabo Frio, Araruama, Maricá) o público demonstrou sempre emoção e alegria, o que muito me tem gratificado pelos mais de 15 anos de trabalho.

AS ARMAS E OS BARÕES ASSINALADOS

PÚBLICO ALVO: Estudantes do ensino médio e de faculdade de letras, professores de literatura e amantes de poesia em geral.

O TEXTO

         A GRANDE VIAGEM de Vasco da Gama e do Chacon

A longa viagem de Vasco da Gama durou um ano, a minha (de montar Os Lusíadas) já ultrapassou quinze anos, mas finalmente vislumbro os mares nunca dantes navegados. É grande a minha alegria a cada ensaio aberto quando vejo que as pessoas entendem e gostam do que estou fazendo. A obra de Camões é grandiosa, maravilhosa e merece o esforço que fiz e a paciência que tive.

(Texto datado de 2016)

Que razões justificariam atualmente uma montagem da epopeia OS LUSÍADAS? 

 Em primeiro lugar pelo valor e qualidade desse texto que é um marco importante na história da literatura em língua portuguesa. Em segundo lugar, porque se a pessoa prestar um pouco mais de atenção aos versos de Camões, verá que hoje não estamos tão longe assim do que ele ali nos mostra. Vou dar uns exemplos:

  •  Essa ganância de ganhar dinheiro, de ter fama, é debatida e combatida pelas palavras do velho na partida do Gama: “Ó glória de mandar, ó vã cobiça desta vaidade a quem chamamos Fama! Que castigo tamanho e que justiça fazes no peito vão que muito te ama! Que mortes, que perigos, que tormentas, que crueldades neles experimentas! . . . Chamam-te Fama e Glória soberana, nomes com que o povo tolo se engana!”
  • Essa insegurança em que vivemos hoje, com medo da violência, essa depressão pela vida mais de obrigações do que de prazeres, atividades tediosas a que somos constrangidos e a tristeza de ser enganados pelos detentores do poder político e econômico. Tudo isso você pode deparar, subitamente, numa fala do navegador Vasco da Gama: “Ó grandes e gravíssimos perigos, Ó caminho de vida nunca certo, que onde a gente põe a esperança tenha a vida tão pouca segurança! No mar tanta tormenta e tanto dano, tantas vezes a morte apercebida! Na terra tanta guerra, tanto engano, tanta necessidade aborrecida! Onde pode acolher-se um fraco humano, onde terá segura a curta vida, que não se arme e se indigne o Céu sereno contra um bicho da terra tão pequeno?”

Para ver um trecho de ensaio no Youtube clique em: A velha se despedindo do filho

CAMÕES EM CABO FRIO, NO TEATRO USINA 4 UMA RECORDAÇÃO DO ATOR

Entrei em cena e improvisei “Meu nome é Luís Vaz de Camões e eu escrevi Os Lusíadas, em que conto a viagem de Vasco da Gama às Índias.Creio que faz dois anos que o Vasco da Gama esteve aqui e contou a chegada dele em Melinde, onde contou para o rei de lá toda a história dos reis de Portugal e de sua viagem até ali. Quando terminou estavam todos embevecidos…”

E daí já emendei para o texto normal contando o fim da viagem e a volta a Portugal. Nesse ponto transcrito acima, em que aparece ali em cima os três pontinhos, as reticências, eu já havia observado a atenção e ligação forte da plateia e também a presença do meu amigo e companheiro de trabalho em outra peça, o Solano Vasconcelos, e mais surpreso ainda reconheci o rosto de um senhor muito simpático e atento, na primeira fileira.

Lembrei-me de quem era ele, dono de um mercadinho perto do teatro. Eu tinha lhe falado do meu trabalho, convidei-o, mas ele disse que não poderia ir, porque fechava o mercado às 20:00, exatamente quando começavam as apresentações e ele ainda tinha que ir ao fornecedor para trazer produtos para reabastecer seu estabelecimento. No entanto deve ter se esforçado e ali estava para ver Camões. Que agradável surpresa!

Bem, apesar da trilha musical não ter funcionado por erro do computador, eu entrei numa sintonização tão harmoniosa com o público que nem me importei e ainda improvisei “cacos” e cenas que levaram as pessoas ao riso e a momentos de emoção que também me tocaram muito. Felicidade incrível, esse é o melhor pagamento para nós artistas, o maior prêmio! Aplaudiram muito! E eu ainda me enlevo de amor e gratidão até hoje!

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